Domingo, Maio 06, 2012

"Cheio de Ki" blog





Você tem dificuldade em entender como funciona um moinho de vento? Ou como água vira vapor? Ou porque algo queima quando fica muito quente?
Você pode até não saber aquelas fórmulas e cálculos da aula de física, mas sabe mais ou menos como o trem funciona e o que há de comum neles todos, não?
Pois é, energia.
Então, por que raios mistificar a palavra japonesa “Ki”? Pois é basicamente o que ela significa.
Nós ocidentais costumamos ter certa dificuldade pra entender termos japoneses (orientais em geral na verdade) e, a maneira japonesa de se expressar acaba dificultando o nosso entendimento também. No caso do “Ki”, levamos o troço pra um nível esotérico, místico e imaginamos ser uma energia interna que nos faz soltar Hadoukens, ou algo como a Força em “Star Wars”. Nos parece um termo que só é utilizado por algum coroa igual ao Pai Mei, isolado em alguma montanha no lugar mais isolado, mas na verdade é um termo bem comum.
Por exemplo: 磁気 (JIKI) , nos remete ao magnetismo. 電気 (Denki), nada mais é que a nossa boa e velha eletricidade.  Também pode ser utilizado como um cumprimento, do tipo : おげんきですか? (Ogenki desuka?), traduzido como “Você está bem?”, mas que literalmente é algo como “Sua energia está equilibrada?”.
“Ah, olha aí dizendo que a energia está equilibrada! Certeza que tem algo a ver com a força mística que todos nós temos!!!”
Isso se você ignorar completamente o que são expressões idiomáticas e o que raios significa o kanji KI.



Forçando muito a barra (lembre-se que o nosso alfabeto também é bem idiota pra eles), esse kanji é um desenho de arroz em uma panela liberando vapor. Ou seja, ENERGIA, no caso, termal. Pensando um pouco mais abertamente, a energia liberada pelo alimento dentro do corpo, por exemplo. Ou seja, nada de místico, esotérico ou afins. Pode até ter havido no passado essa conotação, afinal, não se conhecia o conceito de energia. Até aí, nós ocidentais tínhamos a Teoria Humoral.
Como eu disse antes, nós ocidentais temos essa mania de mistificar termos orientais. Por exemplo, racha-se a cabeça pra entender o que é deai, maai e aiki. Parece coisa que só alguém como o Pai Mei entenderia. No fim das contas são, respectivamente timming, noção de distância e adaptação ao momentum.
Ou seja, não há nada de complicado no tal do Ki. É simplesmente energia. “Ah, mas meu mestre oriental nunca soube explicar direito o que é Ki”. Raios, você sabe explicar direitinho o que é energia? É bem por aí.



Sexta-feira, Abril 13, 2012

Desavergonhado blog

Por que é socialmente aceitável ser visto com roupa de banho, mas não com roupa de baixo?

Por que é aceitável que índios apareçam nus na TV, mas não um branco, um negro ou asiático?

Se alguns religiosos dizem que o homem foi feito à imagem e semelhança de um deus, por que esses mesmo religiosos são contra a nudez, sendo contra a imagem deste mesmo deus?


De onde surgiu o tal “tabu da nudez”? Em que momento o ser humano começou a ter vergonha de si mesmo e passou a utilizar as roupas para algo além de se proteger do frio, do sol, de picaduras de insetos e similares? Sim, as roupas também tinham, e tem, o poder de ser um belo ornamento. Mas o que isso tem a ver com a dita “moral”?
Não devia ser tabu, visto que todos nós nascemos nus,as mulheres com umas características e os homens com outras. Se fomos feitos assim, por que tornar uma coisa que pode ser tão bonita num tabu ?
Apreciar o corpo humano nu é aceitável na arte, mas visto como algo sujo por algumas pessoas caso seja em uma revista de nudez erótica.
Em muitas tribos indígenas se vivem nu, não vivem pensando o tempo todo em sacanagens nem nessa coisa chamada pecado ou tabu. Já estive em praias como Abricó e descobri que somos muito mais felizes quando gostamos de nós mesmos e não do que os outros vão achar de nós, do nosso corpo ou da nossa roupa.

Já observou o quanto você economizaria se não tivesse que comprar uma porção de roupas que só vão lhe interessar uma única vez?


Quinta-feira, Abril 05, 2012

Auto-plagiador marcial blog

Chega um momento na vida em que resolvemos fazer uma atividade física, seja por lazer, terapia ou mesmo pra perder uns litros de banha, e começa então a difícil tarefa de escolher a atividade. Pode ser algo para o qual as circunstâncias nos levam, como a Fran e a corrida, pode ser algo que você realmente goste, como minha esposa e a dança, ou pode ser por mera curiosidade, como eu e as artes marciais.

Everybody was kung fu fighting
Quando resolvi treinar eu não imaginava a quantidade de estilos disponíveis por aí. Judô, jiu jitsu, karate, kung fu, boxe, taekwondo, aikido... As possibilidades são infinitas. Primeiro passo: Escolher a arte marcial que você quer praticar. Não é tão simples assim, ainda mais se você não conhece nada. Sugiro assistir algumas aulas de várias modalidades e escolher uma com a qual você simpatize. O “clima” da academia é MUITO importante.

Depois que escolhi o Karate, precisei comprar o uniforme de treinamento, o popular kimono (que na verdade não é o nome correto, mas em qualquer loja só vão conhecer mesmo por kimono, então chame-o assim). Segundo passo: A escolha do uniforme. Teoricamente era pra ser algo fácil, é só chegar e comprar um kimono, mas não é tão simples assim. Dependendo do quê e de onde você treina, você só pode utilizar um kimono completamente branco. Há sistemas que permitem um kimono azul, ou um preto, ou um rosa, ou... Inúmeras cores. E não pense em economizar. Se for treinar algo como judô ou jiu jitsu, não compre um kimono de karate por ser mais baratinho. Ele vai rasgar em duas ou três aulas.

Escolhido o uniforme, bem, lá vamos nós para o treino. Simples, não? Não! Você agora começa a entrar em uma nova cultura. Dependendo do que treinar é simples, a maioria dos termos é em Português. Por outro lado, na maioria dos lugares você vai escutar termos em Japonês, Chinês, Coreano, Tailandês, Filipino, Hebraico, Francês... Uma Torre de Babel marcial. Terceiro passo: No início decorar, depois entender. Você vai se atrapalhar com os termos, mesmo em Português. Ou vai dizer que você sabe dizer o que é um “rabo de arraia”?

E começamos a aula, fazendo os movimentos que o professor demonstra. Nossa, ele faz tudo parecer simples, né? É, mas é só impressão. Não é simples, ao menos não no começo. Você não tem equilíbrio ainda, embora pense que tenha. Ainda não sabe “utilizar o quadril”, “deslocar o centro de gravidade” entre outras coisas.

Quarto passo: Não se desespere. Você com o tempo vai conseguir. Não se sinta diminuído ao ver todo mundo conseguindo e você não. Todo mundo ali teve sua primeira aula, inclusive o professor. O legal nas artes marciais é você perceber o seu desenvolvimento, você conseguindo vencer suas barreiras.

Nossa, agora você está conseguindo mais ou menos fazer os movimentos de bloqueio, ataque, quedas e chaves. Está feio, mas já consegue não cair ao se mover. Legal. Chegou a hora de fazer um treino livre com algum colega. Sim, claro, é uma arte marcial, porrada é inerente ao aprendizado. Sim, você VAI sentir dor. 

Quinto passo: Não chore. A dor faz parte do aprendizado de artes marciais, não tem jeito. Nariz sangra, você sai arranhado, com hematomas. Nossa, até mesmo bater dói, acredite. Mas com o tempo você acostuma e aprende a não se machucar. E passa a adorar isso! Parece loucura, e é.

No geral, quem não conhece esse lindo caminho das artes marciais, acha que tudo não passa de violência. Não é bem assim. Aprendemos a lidar com nossos medos, a lidar com situações de pressão e a nos superarmos. Nossos colegas de treino acabam se tornando uma segunda família, e bastante unida. Você passa a pesquisar mais sobre a história do seu estilo, e de outros, e aprendendo muito sobre a cultura do local de origem, ou mesmo do seu próprio país, dependendo do estilo escolhido. Eu escolhi esse caminho por pura curiosidade, e me apaixonei perdidamente.


Copiado descaradamente de mim mesmo em uma postagem feita no blog da Fran

Domingo, Março 18, 2012

Dionísico Blog

Hoje estava por Jacarepaguá pois minha esposa foi fazer uma prova e, como eu ficaria com MUITO tempo livre, resolvi ir em uma adega que era frequentada pelo meu bisavô materno, avô materno e avô paterno. Eu ia muito lá com meu avô e meu pai, e adorava aquele clima dionísico: Sotaque português constante, cheiro de vinho, barris e mais barris empilhados e sempre música típica portuguesa. Toda vez que eu ia lá meu pai ou meu avô me davam uma provinha do vinho que iam comprar, e não, nem por isso me tornei um alcoólatra. Sim, houve um tempo em que era comum se fazer isso. E a criança crescia acostumada com isso e ao chegar em uma idade em que poderia comprar bebida sozinho, não enchia a cara. Enfim, isso é coisa pra outro texto.
Chegando lá,a encontro deserta, triste, sem música nem ninguém. Uma sombra do que já foi um dia. Fui ao "anexo", um lugar grandioso que tenta parecer um castelo, construído pelos donos da tal adega. Enorme, impessoal, frio e sem vida, que realmente tem uma variedade enorme de vinhos, mas só porcaria barata e sem gosto algum. Coisa pra quem quer encher a cara em churrasco de laje. Em nada se parecia com aquele ambiente alegre e vivo que conquistou gerações da minha família. Dionísio não estava por lá.

É, fica a lembrança. Bons tempos que infelizmente não voltam mais. Não pela adega em si, mas aquele contato entre neto e avô que se tornou impossível pois, citando Neil Gaiman, "A vida é uma doença: sexualmente transmissível e invariavelmente fatal."



Quarta-feira, Fevereiro 22, 2012

Dotô Blog

Há 4 anos virei funcionário público. Como toda boa estatal, lá existem os chamados “Cargos Comissionados”, que não são exatamente uma promoção, e sim um cargo de chefia que a pessoa ocupa, até segunda ordem. A pessoa é, oficialmente, escolhida por ter a capacidade técnica e a prática necessária pra ocupar tal cargo.

Na prática, basta você ter um bom networking pra conseguir um desses cargos, e não precisa nem fazer concurso pra isso. Claro que isso não é com todos, vejam bem, alguns realmente ocupam tal cargo por ter capacidade para isso, mas são raros. Mas existe um fenômeno interessante para quem ocupa tais cargos: O Doutorado Temporário
. Pois é, lembro de que dia desses a atual Drª Phulana era simplesmente a Phulana do Almoxarifado. Mas bastou pegar o cargo que o sufixo “DOUTORA” passou a fazer parte do seu nome. Sem sequer ter feito algo além do Ensino Médio, quem dirá Doutorado!

E esse mal aflige outras profissões! Vão me dizer que faz sentido advogados serem tratados como DOUTOR”? Que faz sentido delegados serem tratados por “DOUTOR”? Eu já acho errado chamarmos médicos de “DOUTOR”, mas vá lá... só não me peçam pra chamar outros jalecos brancos de “DOUTOR”, como os Fisioterapeutas, Psicólogos e Fonoaudiólogos da vida.



Domingo, Fevereiro 05, 2012

Religioso Blog

  Está tomando força aqui no Rio um movimento contra a intolerância religiosa, visto que casos de ignorantes que depredam imagens sacras tanto de igrejas católicas quanto de centros espíritas está aumentando de forma preocupante. Em sua grande maioria são evangélicos que não entendem nada da própria religião que costumam chutar imagens de santos na tv, que dizem que Orixás são manifestações do demônio, que são mais judeus que os judeus (sabe-se lá pq um povo agora cisma de querer falar termos em hebraico) e por aí vai. Não que católicos, espíritas e afins não façam isso, mas pelo menos não veiculam programas em rede nacional fazendo essas burradas. Voltando ao assunto, criou-se um Disque (odeio essa palavra, um dia explico pq) Denúncia contra a intolerância religiosa, e vereadores cariocas estudam medidas para diminuir essa estupidez.
Tudo isso é louvável, mas vieram cá em minha mente ociosa algumas situações que podem ser um tiro no pé desse movimento

1ª situação: Ateus.

A pessoa tem todo direito do mundo em não acreditar que exista um grande jogador de The Sims controlando tudo que acontece no universo ou que cada peido que damos estava em nosso destino.
Mas seguidores de qualquer religião costumam ser bem rudes com quem duvida da existência de Papai do Céu.

Não seria isso um caso de intolerância religiosa?


2ª situação: Satanistas

Assim como alguns adoram Deus, outros adoram Satã, mas não podem se expressar publicamente pois são hostilizados e se você ousar mencionar o ensino do Satanismo em escolas é capaz de ser linchado.

Intolerância religiosa, não?


3ª situação: Pagãos

Há quem prefira seguir deuses nórdicos ou gregos e se denominam pagãos por algum motivo que desconheço, mas eles também tem seus direitos. Melhor pararmos de utilizar a palavra “Mitologia”, ou então chamar qualquer religião de “Mitologia”.

Direitos iguais, não?


Conclusão: É bom ficarmos atentos a partir de hoje e tentarmos ser menos esquentados com religiões alheias! As vezes aquele “Vá para o Diabo que te carregue!” pode ter a mesma intenção de um “Vá com Deus”.




Quinta-feira, Fevereiro 02, 2012

Carnavalesco Blog

Fevereiro está aí e vem chegando o Carnaval. Nada contra o Carnaval, visto que é um feriadão com mulheres passeando seminuas pela cidade. Como não gostar disso?
A trilha sonora não me agrada nem um pouco, mas isso eu tenho como resolver indo pra algum lugar onde não role samba ou simplesmente ficando em casa.  Geralmente acabo preferindo ficar em casa mesmo, maaaaas, vez ou outra tem um filme legal passando, daí preciso me deslocar pela cidade. Aí que está o problema.  A cidade fica um verdadeiro inferno, e você é obrigado a cruzar com certas coisas estúpidas, tipo o “Bloco das Piranhas”, por exemplo.
O "Bloco das Piranhas" - Quem não conhece alguém que já usou roupa de mulher? Pior, fica bancando a periguete chata ?  Ficar implicando com desconhecidos, fingindo que vai pegar nos "documentos" dos caras e sendo excessivamente escrachado é escroto. Fora que é meio estranho o cara ficar empolgado  pra se vestir de mulher.

Outro treco idiota é a desculpinha do "Que isso?! É Carnaval!" , usada pra qualquer atitude escrota comum nessa época. O cara passa a mão na mulher do outro e quando se vê prestes a levar uma porrada, dispara "Que isso?! É Carnaval!".

Tá com pressa pra comprar mais uma cerveja e quer furar a fila? "Que isso?! É Carnaval!"

4:00 horas da manhã, fazendo barulho no prédio, falando alto, batucando e enchendo o saco de quem quer dormir? "Que isso?! É Carnaval!"

E assim vai.